segunda-feira, 19 de março de 2012

Entrevista com Caio Alexandre - Canil Caio Work Dogs


Entrevista com Caio Alexandre  - Canil Caio Work Dogs

- Treinador de cães desde 1996.
- Figurante Nacional SBCPA (sociedade brasileira de cães pastores alemães).
- Juíz de adestramento SBCPA.
- Participante em 4 campeonatos mundiais de adestramento – WUSV.
- 37º do mundo entre 170 competidores no campeonato mundial WUSV 2009 – Krefeld – Alemanha.


Olá Caio, obrigado por esta entrevista!
Quando começou sua vida com os cães?
Comecei muito cedo, quando ganhei um cão, sempre gostei de animais e foi o máximo. Aos 6 anos de idade fui a um passeio escolar no canil da Polícia militar de São Paulo.
Fiquei impressionado com os cães pulando arco de fogo, subindo escadas e pulando, foi demais esse dia. E 11 anos depois, assisti a primeira prova de adestramento no mesmo canil, quando estava fazendo o curso de formação de adestradores do canil Siborg.
Acho que isso ficou no meu “imprinting”, rsrsrs.

Fale-nos um pouco sobre sua entrada do esporte com cães.
Após concluir o meu curso e assistir ao campeonato brasileiro de inter-raças, da APRO, em 1996, decidi então que iria me dedicar ao esporte e comecei a me informar mais e treinar junto com a equipe Siborg, que me deu um grande apoio e onde eu adquiri muito conhecimento na época.
Foram 10 anos competindo pelo canil Siborg
Foi ali que tudo começou.
Qual esporte com cães você pratica e quais seus reais interesses no esporte?

Pratico o schutzhund, IPO.
Meu interesse é aprimorar mais e mais meus conhecimentos e conseguir resultados importantes para o Brasil em grandes campeonatos e assim me realizar profissionalmente.
Esse esporte é minha paixão, é o que eu sei fazer, mesmo com muita coisa para aprender ainda.

Você utiliza o Pastor alemão para competição, Por quê?
Porque é a raça da minha preferência e por ser o mais usado e considerado completo, no meu ver, por aqui no nosso país ainda é o mais completo para as 3 fases da prova, mais bem criado.
E comecei a utilizá-lo pois quando eu entrei para as provas de adestramento, era a  única raça que não ficava de fora, pois no inter raças o pastor competia também, então eu tinha prova o ano todo, na SBCPA e na APRO (associação paulista do rottweiler).
                              

Você trouxe um cão importado recentemente, o que você considera importante neste cão e porque acredita que nele como reprodutor?
Fury é um cão com muita qualidade no faro e na proteção que é bem forte, dá trabalho para o figurante. Tem muita força, e na obediência, apesar do tamanho grande, 65cm de cernelha, ele é rápido, tem uma busca de halter rápida e disposição para obediência.
Acredito nele como reprodutor por qualidades principais no faro e proteção forte e por ser de uma linha genética diferente, que produz cães bons para o esporte, também pela estrutura física, ele transmite ossatura muito forte e tamanho bom para os filhotes.
O tamanho eu levo em consideração e a estrutura também, pois por aqui no Brasil vimos por muito tempo, cães pequenos de modo geral e ossatura fraca. Acredito que Fury possa cooperar com esses quesitos na nossa criação nacional, que vem crescendo em qualidade nos últimos tempos. As pessoas envolvidas com a raça para o esporte, tem conseguido bons resultados.


 Você já treinou outras raças para o esporte, mas nunca vimos um vídeo seu com malinois – Por quê?
Tem um vídeo sim, com Gringo vom Maringaland....rsrs....video recente.
Porque não encontrava cães com a qualidade que eu procurava. Hoje estão criando mais e chegando animais com qualidade genética diferenciada, quem sabe no futuro eu acabe investindo em um.



Qual sua maior e melhor conquista nestes anos todos como esportista?
Os amigos verdadeiros que fiz, oportunidades de conhecimento e reconhecimento conquistado através de resultados importantes.


Conte-nos um pouco sobre representar o Brasil lá fora e qual foi sua maior dificuldade – se em prova, no reconhecimento de campo ou algo mais.
Foi uma experiência maravilhosa na minha vida, viajar, conhecer outros países, outras culturas e estar dentro das 4 linhas do campeonato mais importante para os pastoreiros, a WUSV.
A WUSV para mim é a Disneylândia... Demais! Que campeonato grande! É lindo demais.
É bom demais saber que você não está só competindo, mas que você está ali como brasileiro !
Não falar Inglês na primeira vez que fui, isso atrapalhou. Voltei decidido a estudar, foi a melhor coisa que eu fiz.
Aproveito para alertar para quem vai, cuidado com a água para os cães. A primeira vez que fui, não conclui a prova porque o cão teve a maior diarreia que já vi.
            Em prova, sem problemas, reconhecimento de campo as vezes alguns problemas mas nada tão ruim.


Como você encara as equipes de schutzhund que você teve o privilégio de conhecer nas diversas vezes que esteve competindo? O que podemos aprender com elas?

Em competição eu não os encaro como oponentes, concorrentes, pois eu penso apenas em melhorar o meu resultado e me preocupo com minha nota e como foi minha performance. O maior oponente sou eu mesmo.
Como treinadores, existem boas equipes, muito unidas e bem organizadas, muito técnicos e exemplares. Mas se engana quem pensa que Europa é tudo e Brasil é nada, tem muita coisa que se vê que não se aproveita, lá existem os TOPs, mas não são todos.
Sempre vamos aprender algo com alguém de uma outra equipe, seja uma técnica, ou a maneira de criar os cães ou no modo que se organizam, sempre vamos aprender, por isso o negócio é ter contato com algumas, para poder ficar de olho e aproveitar cada momento que estiverem trabalhando. Tive contato com a equipe da Suiça, no último mundial que participei e pude aprender técnicas e também como funciona os bastidores de um sorteio, e como prestar atenção nesses detalhes nesse dia. Nunca havia imaginado como eram importantes pequenos detalhes que nossos amigos passavam para nós. Por isso, fique ligado, e pronto para aprender.

Qual a sua crença com relação aos métodos de ensino?
Acredito nas leis e princípios da psicologia, que são imutáveis e que os cães respondem a essas leis e princípios. E acredito que a técnica melhor, é a técnica que produz resultado.
Pensamentos conduzem a ações, ações produzem resultados, e esses resultados nos mostram se nossos pensamentos eram certos ou errados.

Qual foi o seminário que mais valeu a pena?
Foram dois, o do Peter Scherk e Florian knabl foi demais, rico em detalhes, vídeo aula e em seguida a prática de cada exercício com técnicas que me fizeram vibrar.
E o seminário do Bart Bellon, esse é um maestro. E lógico que nunca poderia esquecer o Edgar, não tem como esquecer tudo q ele me ajudou aqui e no clube dele na Alemanha, me ajudou muito.
O cara me deu  a maior força em 2009.

Como você evoluiu como condutor e treinador?

Treinando, fazendo o meu melhor no esporte e treinamento de cães. Eu sempre treinava os cães de clientes como se fossem para provas e isso me ajudou bastante a aprender sobre condução e exercitar o “feeling” de saber o que é necessário em cada situação diferente.

Qual a fase mais fácil em sua opinião? Por quê?

São duas, faro e proteção, porque depende mais do instinto e disposição do cão, eles tem motivação extra para essas fases. São as fases que dependem mais do cão.

Qual a mais difícil? Por quê?
Obediência. Porque ainda estamos caminhando nessa fase, e se a comunicação não for perfeita, se você não souber passar a informação exata, as leis e princípios não casam e você acaba perdendo tudo. É a fase em que o conhecimento do treinador é colocado a prova.

Quando você considera que o seu cão está pronto para competir?
Quando a comunicação é só verbal, quando não preciso de linguagem corporal e material para me comunicar com ele.

Qual a relação entre o esporte e a criação?

Antes o schutzhund era para selecionar bons cães, hoje é para selecionar bons treinadores. Hoje o cão não precisa ser 100% para ganhar, é lógico que tem que ser bom, mas hoje as técnicas podem esconder muito o que é o cão, então se esse cão que não é 100% estiver na mão de um treinador TOP, ele terá grande chance de ser campeão e isso não garante que irá produzir cães TOP.
             
Como você escolhe um filhote?
Ainda estou aprendendo isso. Primeiro vou pelo perfil genético dos pais, linhagem, busco informações sobre o pedigree e vejo o que os pais já produziram, se for possível e também gosto de ver o que a maioria quer ver, vontade de trabalhar, interagir, atenção, vontade de comer, segurança e etc...

Qual seu ponto de vista da relação entre a educação do cão e confiança com o dono?

A confiança é o que se tem quando existe uma relação perfeita de respeito e amor que só é possível por meio da educação do cão.


 Como ou o quê você faz no dia a dia com seu cão quando não tem nenhuma prova em vista?
Treino normal e jogo bolinha para ele .Ele fica em casa comigo a maior parte do tempo e gosta de ficar deitado com a cabeça no meu pé, enquanto eu uso  o PC.

Quando vai entrar em uma competição, ou numa prova de titulação, o que você especificamente faz com seu cão – antes, durante e depois da prova?

Eu tenho como meta não treiná-lo na semana da prova, apenas reconhecimento do campo da prova, ele tem que estar bem e descansado. Durante a prova temos que estar concentrados e sintonizados. Quando acaba a prova, se for obediência, faço um pouco um exercício e dou um prêmio fora. Se for faro, alimento ele.

 Como manter o equilíbrio entre a motivação e concentração?

Uma das melhores explicações sobre o equilíbrio entre motivação e concentração você encontrará no youtube, por Bart Bellon.
Ali podemos ver o efeito causado pela privação na natureza, privação é primordial para encontrar esse balanço perfeito.
Todo animal caçador, na natureza, não recebe comida de graça, não recebe comida na boca, tem que trabalhar e se não trabalhar concentrado com o equilíbrio perfeito, erra o alvo, a presa, a comida e continuará em privação de alimento.
Podemos transferir isso para as 3 fases do schutzhund.
O jogo é, se você não aprender a se concentrar, a privação continuará, e não precisará de muito para que o cão aprenda rápido esse jogo. Não podemos esquecer que na natureza, se um animal caçador errar o bote no alvo, irá comer somente dias depois, sabe lá quando terá a oportunidade novamente de encontrar comida, então a natureza é mais cruel com os animais.
Dentro desse jogo o cão aprende a trabalhar motivado e concentrado. Você priva ele do que ele precisa e quer e pronto, a motivação acende.
Motivação muito alta aumenta ansiedade e diminui concentração, mas quando o animal aprende por ele mesmo a  se concentrar e a controlar a ansiedade, ele encontra esse balanço perfeito.
Para manter isto, é deixar que o cão aprenda este jogo, então você tem o equilíbrio.

Como você define um bom Cão para o esporte e sua relação com a mordida de boca cheia?

Hoje um bom cão para o esporte não tem que ser “duro”, super drive e difícil de controle, de modo algum.
Um cão para o esporte tem que ser disposto, interessado em trabalhar, dinâmico, e dotado de psicomotricidade. Tem que ter boa mordida, mordida é fator genético importante, você até melhora a questão de mordida em um cão, mas genética é tudo para esse esporte. Um cão bom, sem mordida de qualidade, é uma Ferrari com motor fundido.

Qual o conselho você pode dar aos jovens que estão iniciando no esporte?

Dedicação, fazer o possível e o impossível. Procurar os melhores para poder aprender.
Um cego não pode guiar  outro cego.


 Como você acredita que será o futuro do esporte no Brasil com as novas mudanças que entraram em vigor no regulamento de schutzhund?
Temos que aguardar para ver, não digo só no Brasil, mas no mundo o esporte será cada vez mais seleto.
Agradeço a todos os responsáveis pela entrevista. Desejo sucesso a todos com seus cães.
Aproveito para comunicar que o Canil Caio work dog’s está de casa nova, estabelecido no Centro Cinófilo da Fazenda 5 pedras em Mogi das Cruzes - SP.
Aguardamos a visita de todos para conhecerem o nosso centro canino.
Agradeço também a toda equipe da Fazenda 5 pedras, um verdadeiro time. Sinto-me em casa! 

3 comentários:

  1. Caio aprendi coisas novas com sua entrevista,obrigado.
    Luciano.

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  2. Estou caminhando de modo geral, boas palavras colocadas. ( Valdo Lira)

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  3. Estou caminhando de modo geral, boas palavras colocadas. ( Valdo Lira)

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