quarta-feira, 28 de março de 2012

Entrevista com Leandro Salles




Primeiramente agradeço o convite para esta entrevista e espero que possa contribuir de alguma forma aos leitores.


Introdução:

- 7º Colocado no 2º ISP RSV2000 2011 na Alemanha;
- Competidor no Campeonato Mundial IPO FCI 2010 - Finlândia e 2011 - Alemanha;
- Campeão Brasileiro de Schutzhund III em 2002;
- Penta-Campeão Brasileiro por equipe nos anos de 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007;
- Vice-Campeão Paulista de Schutzhund I no ano de 2001;
- Vice-Campeão Paulista de Schutzhund III no ano de 2002;
- Figurante de sete cães Campeões Paulistas e Brasileiros;
- Figurante Oficial CBPA e CBKC;
- Participações diversas em Campeonatos Brasileiros e Paulistas como Figurante ou Condutor;
- Treinos com renomados treinadores na Bélgica, Alemanha e Finlândia de 2006 a 2011;
- Seminário de Schutzhund ministrado pelo Sr. Luc Moorkens (Bélgica) no ano de 2005 em SP;
- Seminário de Schutzhund ministrado pelo Dr. Helmut Raiser (Alemanha) no ano de 2003 em SP;
- Seminário de Schutzhund ministrado pelo Sr. Jan Kokx (Bélgica) em 2001 e 2002 em SP;
- Seminário de Schutzhund ministrado pelo Sr. Estefano Codemo (Itália) em 2000 em SP;
- Criador pelo afixo Phanomen.



Você é apaixonado pelo trabalho de proteção, nos fale mais a respeito desta sua paixão.

Nunca me vi como condutor, apesar de já ter conduzido alguns cães. Também não sou fanático por provas, nunca fui. Sempre preferi treinar e ajudar as pessoas a treinar. Prefiro “quebrar a cabeça” tentando resolver problemas na parte de proteção, como figurante, ao conduzir qualquer cão em prova, ou mesmo participar delas como figurante. Conheci o figurante Alexandre Bueno no parque do Ibirapuera, ficamos amigos e daí em diante começamos a treinar juntos. Foi com ele que aprendi boa parte do que sei. Como sempre preferi a seção de proteção me dediquei mais a isso.

Tenho pra mim que treinar cães é usar mais o cérebro do que o corpo. Claro que a coordenação motora é importante, mas acho que o mais difícil é identificar o que o cão precisa no momento certo, selecionar a técnica mais adequada para cada indivíduo, e isso deve ser levado em conta pelo figurante, não apenas pelo condutor. Não gosto de firula na proteção, acho desnecessário. Baseio-me também pelo o que vejo no clube do Bert e do Ronny, o treino deles é bem simples e estão entre os melhores do mundo.

Hoje, quando tenho tempo, ajudo alguns amigos e colegas de São Paulo e até de outros estados a formarem seus cães na proteção. Tenho muito orgulho em ver pronto um cão que eu tenha sido o figurante de formação. Acho que um dos grandes problemas é que as pessoas não têm paciência ou mesmo disciplina em treinar seu cão com um único figurante até que a base esteja consolidada - quando isso acontece é nítida a constância da atuação do cão na proteção, sem necessitar de “remendos” mais tarde.



Você treina schutzhund desde 1997, porque entrou no esporte com cães?

Após ter comprado meu primeiro Pastor Alemão, fiz amizade com uma Médica Veterinária que tinha uma clínica perto de onde eu morava. Pouco tempo depois estava trabalhando na clínica como auxiliar cirúrgico e investia o meu humilde salário (R$ 250,00) no adestramento do meu cão. Um ano depois fiz um curso de adestramento e fui trabalhar com Hélio Ferreira da Silva, o adestrador do meu PA. Através dele conheci o Ceará (Otacílio Araújo), ficamos amigos e comecei a freqüentar os treinos no Parque do Ibirapuera. Em seguida comprei do Ceará um Pastor Alemão de aproximadamente 9 meses que era mais adequado para participar de provas. Com esse cão, Igaró do Rio Araguaia, venci o Campeonato Brasileiro de Adestramento em 2002, na categoria IPO3, totalizando 290 pontos (99-95-96).



O que mudou nestes 15 anos, em sua opinião?

Atualmente temos muita informação disponível pela internet, basta querer aprender. As pessoas também têm se dedicado bastante, participando de seminários com excelentes treinadores de outros países e, cada vez mais, temos apresentações de melhor qualidade. Quem é dedicado consegue aprovar um cão fazendo uma boa apresentação, apenas com essas informações e com algum auxílio de um grupo de treino.

Quando comecei, as informações eram de difícil acesso. As pessoas tinham mais restrições em relação ao nosso país e isso atrapalhava bastante no intercâmbio, por isso as nossas técnicas eram ultrapassadas.

Não é a toa que, após conseguirmos bons contatos lá fora, conseguimos dar um salto tão grande em qualidade em poucos anos, tanto para trazer novas técnicas quanto melhores cães.



O que você acredita que pode ser melhorado no schutzhund no Brasil?

Acho que quanto mais hobbistas tivermos, melhor. O grande problema é que essas pessoas até começam a treinar, participar do esporte, mas logo saem ou se afastam, pois não agüentam os problemas políticos, brigas de ego, etc., sendo que pra elas é um lazer, um passatempo. Eu vejo um expressivo crescimento no número de proprietários que têm como diversão o treinamento de cães e acho isso muito bom. Essas pessoas passam o tempo treinando, brincando, se distraindo e aprendendo com seus cães, ainda mais se tratando de IPO, onde o treinamento envolve tudo isso e demanda tempo. Por outro lado, vejo os campeonatos e clubes com cada vez menos participantes e acho que a tendência continuará sendo essa se os problemas que citei não forem solucionados. Acho impossível esperar que o esporte cresça sem essas pessoas, pois são elas que normalmente investem, trazem novas idéias e possuem maior habilidade para administrar os clubes. Basta comparar anos atrás, a quantidade de cães em prova era muito maior do que temos hoje. Incluo nisso as exposições também. Antigamente era fácil ver 300/400 cães em pista, hoje pra juntar 50 é um sufoco.

O que não podemos confundir é o aumento de treinadores competindo com o crescimento no número de praticantes do esporte. O maior número de treinadores em provas se dá apenas por conta do maior e facilitado acesso às informações. Eles sempre existiram, apenas não tinham tanto acesso a informações, técnicas e melhores cães, como acontece hoje.



Você já contribuiu muito para o avanço no esporte com cães, mas qual é sua meta agora?

Pretendo continuar me dedicando à criação, sempre buscando produzir cães de qualidade superior. A criação é um trabalho sem fim. Quero investir mais na raça Dobermann, somos os únicos criadores da raça no Brasil a efetivamente possuir machos e fêmeas 100% linha de trabalho, coisa que muitos dizem ter, mas não têm.

Pretendo também continuar atendendo as pessoas que me convidam para seminários, com grande satisfação.

Quanto à parte de competição, estou desanimado com o rumo do adestramento no Brasil politicamente falando. Por esse motivo não tenho planos para competir tão cedo, embora continue treinando.



Como se sente sendo o primeiro brasileiro a participar da RSV2000, e alcançar um expressivo 7ºlugar?

Bom, ficar em 7° colocado na Alemanha é motivo de felicidade para qualquer participante. De todo modo eu prefiro dizer que quem ficou em 7° foi o Arco e não eu. Por um erro, não deitou no trote e perdeu os pontos que o deixariam em 3° lugar, mas o resultado foi mais que satisfatório. Ainda mais conseguindo a melhor proteção do campeonato, com 97 pontos sob um julgamento transparente.

Cada seção foi julgada por dois juízes e as pontuações eram sempre parecidas, o que provou a consistência e coerência dos julgamentos, uma vez que os juízes não tinham contato um com o outro até dar a nota final da seção.

Desde a criação da RSV2000 me interessei pela ideologia deles e vi pessoalmente que eles fazem o que falam. A determinação deles merece ser aplaudida!



Não quero ser injusto com os outros cães, mas dentro do seu plantel, quem é o favorito e por quê?

Difícil responder. Eu não tenho um favorito e gosto de cada um deles por características específicas de cada indivíduo. Se eu pudesse juntar as qualidades de todos em um só, eu teria o cão perfeito! rs. No último ano importamos mais 8 cães, todos me agradam muito de alguma forma, tanto as fêmeas quanto os machos, gosto de cada um deles por diversos motivos.

Temos um dobermann que se chama Ryker, que é o melhor cão de obediência que já vi. É muito bom treiná-lo, está sempre bem disposto, basta ordenar fuss. Também acho a proteção dele excelente. Além de tudo isso é um cão perfeito para se ter em casa. Infelizmente (rs), oficialmente ele é da minha esposa, e é ela quem o treina, mas como ela faz faculdade e o tempo fica curto para treiná-lo constantemente, acabo ajudando e treinando-o quando preciso.

Claro que gosto muito do Arco por conta da excelente proteção e por ter sido meu parceiro em grandes campeonatos. Em 2010 no Mundial da FCI na Finlândia, onde conseguimos 95 pontos na proteção, ele foi considerado pelos 2 figurantes o melhor cão de proteção do campeonato e no ano anterior, na Wusv, o figurante da primeira parte disse o mesmo. Isso rendeu uma matéria em uma revista finlandesa e alguns acasalamentos por lá. Não dá para não se orgulhar dele.



Quando você iniciou seus contatos com os criadores internacionais?

Meu cão Igaró estava começando a sentir a idade, eu precisava de um novo cão pra competir, mas na época não encontrei nenhum jovem ou filhote que me agradasse. A partir daí veio a idéia de trazer não só um cão pra competir, mas tentar adquirir alguns bons cães de fora pra iniciar uma criação bem focada, e foi em meados de 2005 que fiz os primeiros contatos com criadores de fora do país via internet. Só pensei em criar porque me casei com uma criadora, foi ela que me incentivou, até então eu só queria mesmo treinar.

Minha esposa já tinha contato com uma criadora de Dobermann da Bélgica, e foi através dela que conseguimos um melhor contato com um famoso treinador (Bert Aerts). Por indicação tudo fica mais fácil, aos poucos fomos conhecendo os treinadores e criadores pessoalmente, o que é bem diferente de contatos exclusivamente pela internet, pois geralmente são superficiais e fica difícil existir confiança dos dois lados.



O que mudou na sua maneira de escolher um cão dentro deste intercâmbio?

Pouca coisa mudou, mantenho o mesmo critério desde o começo, olhando primeiramente o pedigree (linha de sangue) e em seguida o indivíduo em si.

Parto do princípio que devemos ter bem definidas em mente as características que gostamos em um cão. Por exemplo: mais caça, mais dureza, mais agitação, etc. Isso também se deve a certa experiência lidando/treinando diferentes cães e a boas referências, afinal preciso saber o que é uma boa mordida para poder identificá-la, por exemplo. Assim fica mais fácil escolher o cão mais adequado pra cada um e também é possível ter uma idéia disso pelo pedigree, quando se conhece as linhas de sangue e o que elas marcam.

Não sou tão preocupado em encontrar um super filhote. Procuro características que me agradem e espero o filhote crescer, pois só adulto dá pra ter certeza do que ele será. Também não faço milhões de testes com o filhote, simplesmente avalio os drives e a parte de nervos, ou seja, algo bem básico. Não faço teste de Volhard ou Campbell ou qualquer outro teste por idade, olho cada atitude do filhote conforme o desenvolvimento individual dele, até porque algumas linhas de sangue ou mesmo indivíduos são mais tardios que outros, nisso você pode acabar perdendo um bom cão se for “testar” cedo demais. Não tiro conclusões antes dos filhotes completarem 8 semanas, e mesmo assim eu sempre repito: filhote é filhote, se quer ter certeza absoluta, adquira um adulto!

Eu não me preocupo em ter primeira escolha, a primeira escolha pra mim pode não ser a primeira escolha pra outra pessoa, então vejo o filhote mesmo sendo o último da ninhada e se interessar eu fico com ele. Cheguei a olhar ninhadas inteiras em canis na Europa, onde eu tinha a primeira escolha, e no final não comprei nenhum filhote. Ao mesmo tempo, vi algumas vezes o filhote que sobrou e decidi comprar porque gostei, e o resultado foi excelente, o cachorro cresceu e ficou ótimo. Muitas pessoas erram feio ao perder o interesse em uma ninhada ou filhote só por ele ser o último.

Algum tempo atrás fui com o Bert, um amigo treinador da Bélgica, até a Alemanha em um canil onde ele tinha reservado um filhote. Ele tinha a segunda escolha da ninhada, mas ainda tivemos a oportunidade de ver a ninhada toda, sendo que não estava na época de entrega dos filhotes. Pra resumir, nem ele e nem eu gostamos do filhote que já tinha sido escolhido (primeira escolha). Depois de um tempo avaliando a ninhada, o Bert separou três machos e no final escolheu um. Em seguida perguntou o que eu achava, até então eu estava quieto apenas olhando, e respondi a ele que preferia um outro filhote que estava entre os três selecionados. No final ele pensou, pensou e mudou de idéia, decidiu seguir a minha sugestão. Esse cão ficou muito bom, deu certo. Comentei isso apenas para ressaltar que a escolha de uma pessoa nem sempre é a escolha da outra, seja ela a primeira, segunda ou última.

Com cães adultos eu avalio do mesmo modo, não importa se tem títulos ou não. Sempre preferi olhar os cães em treinos e não em provas, porque nos treinos podemos ver os problemas sendo corrigidos. Também pode acontecer de um bom cão se sair mal em uma prova e vice-versa. Resultado de prova pra mim é o que menos conta na hora de escolher um cão adulto. A propósito, eu quis comprar o Arco quando ele tinha recém-chegado na Bélgica, após assistir um treino dele, quando ele ainda era desconhecido.

Todos os cães, ou pelo menos a grande maioria, que as pessoas treinam e os criadores usam, têm qualidades, mas o que é mais certo é que todos têm seus defeitos. Se as pessoas fossem ver esses cães pessoalmente teriam uma melhor visão de cada cão e cada criador. Acreditar em tudo o que é dito é ingenuidade.



Qual foi seu primeiro cão importado?

De Pastor Alemão, trouxemos 3 filhotes ao mesmo tempo com o intuito de iniciar a criação, um macho, o Fosco que veio da Bélgica, e duas fêmeas, a Bea da Alemanha e a Zandra da Dinamarca.

Mas, na verdade, meu primeiro cão importado foi uma Dobermann, a Eluna. E foi na viagem para buscá-la que minha esposa fez o primeiro contato que nos permitiu adquirir o Fosco, que mais tarde se revelou um super reprodutor.



Como você lida com o monstro da “displasia coxofemoral”? Qual o critério utiliza para se prevenir?

A displasia é um problema inerente a raça, infelizmente. Pra termos uma idéia mais clara disso, a SV publicou uma estatística sobre um total de 10.000 cães radiografados, sendo os pais livres de displasia, em que pouco mais de 70% dos cães eram isentos de displasia (A – Normal e B – Quase normal) e o restante, quase 30%, displásicos.

O que nós fazemos é usar cães com laudos A ou B para tentar contornar o problema, e também damos em contrato a garantia de ressarcimento caso um cão de nossa criação tenha o problema. Na parte de venda de acasalamentos, faz um bom tempo que só aceitamos fêmeas com laudo A ou B. Pra quem não sabe, o clube aceita também cães com laudo D e E (displasia moderada e severa) na reprodução e emite pedigree para os filhotes. Passamos a exigir que o proprietário traga o pedigree da fêmea com o carimbo do laudo de displasia e se por acaso não for possível, nós ligamos para o clube para confirmar o laudo e liberar o acasalamento dos nossos machos.



Como se sente sendo um visionário na criação do cão de trabalho no Brasil?

Não faço nada de extraordinário, apenas sigo alguns conceitos básicos de criação. Tento ser o mais criterioso possível e acredito no poder da genética. Não existe cão perfeito e nem que faça milagre, por isso não adianta acasalar um cão fraco com um bom. Eu aceito o que cada cão é e o que tem a oferecer, de outra forma eu só estaria enganando a mim mesmo. E para que nada passe despercebido, eu e minha esposa decidimos tudo juntos, uma vez que temos praticamente os mesmos conceitos, parâmetros e metas e às vezes um enxerga algo que o outro não viu.

Quando procuro um cão para criação, como já disse anteriormente em relação à escolha, dou bastante atenção ao pedigree porque não acredito que cães de linhas desconhecidas sejam bons para reprodução, pelo menos para um trabalho a longo prazo. É bem mais difícil conseguir bons cães para criar do que bons cães para competir, além disso, não existe outra maneira de saber se o cão é um bom reprodutor que não seja usando-o na reprodução, o resto não passa de achismo. Outro grande erro das pessoas é a ilusão de que um cão cheio de títulos será bom reprodutor. Se fosse assim seria fácil criar bem.

Também não acredito que cães com comportamento diferente do esperado pela sua linha de sangue sejam bons na reprodução. Por exemplo, se um cão vem de linhas de sangue que costumam ter problemas de nervos e o indivíduo não apresenta esse problema, ele até pode ser bom pra competir, mas eu não o usaria na reprodução. Acho que cada característica tem que estar bem marcada em cada cão e ser condizente com as respectivas linhas de sangue. Uma vez um amigo usou um macho que pra mim era excelente, com uma fêmea boa. Os filhotes nasceram todos nervosos, completamente instáveis e ele não sabia o porquê desse resultado. Eu olhei o pedigree da ninhada e vi que tanto o pai quanto a mãe vinham de linhas de sangue com problemas de nervos, não deu outra, deu problema na ninhada toda, embora os indivíduos usados na reprodução fossem bons.

Tenho matrizes especiais e sei que sem elas não adiantaria usar o melhor reprodutor do mundo. Acho que as fêmeas têm que ter mais qualidades que os machos, o que não significa que precisam ser melhores pra competição. Falo de qualidades em geral de um cachorro de trabalho, como drives, dureza, nervos, afinal a contribuição materna é marcante na ninhada. Não adianta usar uma fêmea fraca na criação mesmo com um excelente reprodutor se você tiver a intenção de manter uma boa criação. Acontece de um excelente reprodutor ou uma excelente matriz dar bons resultados em um acasalamento com um exemplar fraco sim, mas esse resultado, no geral, acaba ali, nas próximas gerações isso se perde.



Quando alguém compra um filhote seu, quais as recomendações você transmite ao novo proprietário?

Isso varia bastante, as recomendações vão depender da finalidade do filhote e conhecimento/experiência do novo proprietário. Temos cães da nossa criação trabalhando na receita federal, polícias federal, militar e do exército, GCMs, bem como com adestradores profissionais, voltados à competição, adestradores hobbistas, e cães tidos como pet, para a finalidade de guarda e companhia da família.

Nós entregamos uma apostila de cuidados básicos e prestamos assessoria caso haja qualquer dúvida posterior. Para as famílias ou aqueles com menos experiência, sempre recomendamos que o cão receba treinamento, seja corretamente educado e socializado.

No caso de cães vendidos para esporte ou serviço, no geral cada um já tem sua maneira de treinar, então poucos nos consultam sobre isso, mas quando preciso nós também orientamos o comprador conforme a necessidade dele.



Você adquiriu um casal de malinois recentemente, por quê?

Eu tive 3 Malinois anos atrás, no entanto não achei que eram suficientemente bons para que eu fizesse algo com eles. Já tem algum tempo que estamos pensando em começar a criar a raça e ano passado apareceu essa boa oportunidade de adquirir os dois exemplares de linhas de sangue espetaculares, sendo o macho importado da Bélgica e a fêmea da Finlândia, filhos de cães que considero excelentes como indivíduos e reprodutores.



O que significa criar cães de trabalho?

É criar visando produzir cães funcionais, com saúde e temperamento conforme o esperado de cada raça, para que possa exercer a função à qual foi desenvolvida.



Você se espelha em alguém? Quem? Por quê?

Admiro e respeito pessoas que seguem uma linha de pensamento, ou melhor, a seus princípios. Geralmente essas pessoas fazem um trabalho diferenciado, pois tomam atitudes ponderadas.



Algumas dicas para quem está começando hoje no esporte.

Acho que as pessoas deveriam procurar diferentes grupos de treino e ver em qual se adaptam melhor para então decidir-se por treinar e seguir uma “linha” de treino, afinal existem diferentes tipos de treino, objetivos, condutas, etc. Além disso é importante estudar e dedicar-se, mas sem nunca deixar de lado a prática em campo, pois só aliada a ela é que a teoria tem valor.



Qual o seminário você mais gostou? Porque?

O que mais gostei foi o seminário de proteção do Dr. Helmut Raiser que assisti há aproximadamente 10 anos. Achei que a parte teórica foi muito bem explicada e elaborada, e tenho pra mim que uma das coisas mais difíceis é conseguir organizar tudo isso na teoria e passar pra quem está assistindo.



Qual a técnica mais te chamou a atenção nestes últimos anos?

Nenhuma em especial, cada técnica é válida pra um cão e situação específicos.



Como você cria a base de seus filhotes, seu manejo e desmame?

As ninhadas nascem no nosso quarto e ficam dentro de casa até aproximadamente 4 ou 5 semanas. Nesse período temos um contato constante com os filhotes e isso nos permite uma pré-avaliação do comportamento, além de significar socialização pra eles. Oferecemos brinquedos tão logo os filhotes mostrem interesse. Permitimos que andem soltos pela casa, eventualmente mudamos de ambiente, deixamos cheirarem outros cães adultos e gatos, apresentamos diferentes barulhos, etc. Em torno de 4 a 5 semanas passam para uma área externa coberta e maior, e diariamente estimulamos seus sentidos com novos sons, corridas, brinquedos, etc.

O desmame começa geralmente em torno de 3 semanas de vida, quando começamos oferecendo mingau com carne moída ou carne moída apenas. Permitimos que a mãe da ninhada amamente o tempo que quiser, é ela quem define quando os filhotes vão parar de mamar, o que geralmente ocorre entre 30 e 40 dias.



Se alguém quiser comprar um filhote de sua criação, como proceder?

As ninhadas são anunciadas no nosso site www.phanomen.com.br com a previsão ou data de nascimento. Basta o interessado entrar em contato conosco por e-mail ou telefone. Geralmente fazemos algumas perguntas e indicamos os filhotes mais adequados para cada futuro proprietário.



Obrigado pela entrevista Leandro.

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